Quem pode ser dependente no IRPF
A Receita Federal define com precisão quem pode ser declarado como dependente. Não basta "morar junto" ou "depender financeiramente" — é preciso se enquadrar em uma das categorias legais:
- Cônjuge ou companheiro(a) com quem você tenha filho ou viva há mais de 5 anos
- Filhos e enteados até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitados física ou mentalmente para o trabalho
- Filhos e enteados até 24 anos, se estiverem cursando ensino superior ou escola técnica de nível médio
- Irmãos, netos e bisnetos sem arrimo dos pais, sob sua guarda judicial, nas mesmas faixas de idade dos filhos
- Pais, avós e bisavós que receberam, em 2026, rendimentos dentro do limite de isenção
- Menor pobre que você crie e eduque, sob guarda judicial
- Pessoa absolutamente incapaz da qual você seja tutor ou curador
O que muda ao incluir um dependente
Incluir um dependente tem dois efeitos opostos:
Efeito positivo: você ganha a dedução fixa por dependente (aproximadamente R$ 2.275,08 por ano) e pode deduzir as despesas médicas e de educação dele.
Efeito negativo: você precisa somar todos os rendimentos do dependente à sua declaração. Se o dependente tem renda própria — um filho que faz estágio, uma pensão, um trabalho — esse valor entra na sua base de cálculo.
Quando incluir um dependente NÃO vale a pena
Esse é o ponto que mais gera erro. Imagine um filho de 22 anos cursando faculdade que fez estágio em 2026 e recebeu R$ 18.000 no ano. Se você o inclui como dependente:
- Ganha: dedução fixa de ~R$ 2.275 + despesas de educação dele
- Perde: os R$ 18.000 de renda dele entram na sua base e podem ser tributados a 22,5% ou 27,5%
Nesse caso, somar R$ 18.000 à sua base pode gerar muito mais imposto do que a dedução economiza. Frequentemente é melhor o filho declarar separadamente (ou nem declarar, se não for obrigado).
Cada dependente só pode estar em uma declaração
Um dependente não pode constar em duas declarações ao mesmo tempo. Isso é causa frequente de malha fina em casais separados ou em famílias onde pai e mãe declaram. Se o filho aparece na declaração do pai e da mãe, ambas caem na malha. Combine antes quem vai incluir cada dependente.
Como declarar na prática
- Na ficha "Dependentes" do programa, informe nome completo, CPF (obrigatório para todos, inclusive recém-nascidos) e a relação de dependência
- Os rendimentos do dependente vão na ficha de "Rendimentos", identificados como sendo dele
- As despesas médicas e de educação do dependente vão nas fichas correspondentes, vinculadas ao CPF dele
- Os bens do dependente (se houver) vão na ficha de "Bens e Direitos"
Dependente em ano de mudança
Casou, teve filho, ou um dependente fez 22/24 anos durante 2026? A regra geral é que a condição de dependente vale se existir em qualquer momento do ano. Um bebê nascido em dezembro de 2026 pode ser dependente na declaração de 2027. Já um filho que completou 22 anos sem estar na faculdade deixou de ser dependente naquele ponto — confira as regras específicas de transição.
Conclusão: simule antes de incluir
Dependente não é "sempre bom" nem "sempre ruim" — depende da renda dele. A regra prática: dependente sem renda própria quase sempre compensa; dependente com renda relevante precisa de simulação. Teste os dois cenários no simulador de restituição antes de decidir.
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