Saber **qual disjuntor instalar** é uma das dúvidas mais comuns de quem está montando ou reformando um quadro elétrico. Disjuntor de menos desarma toda hora (ou pior, esquenta o cabo); disjuntor de mais deixa de proteger o circuito e vira risco de incêndio. Esta calculadora resolve isso a partir de três informações simples: a **potência do aparelho (em watts)**, a **tensão do circuito (127 V ou 220 V)** e, opcionalmente, o **fator de potência** e o **fator de segurança**.
A conta por trás é a Lei de Ohm aplicada à potência: **Corrente (A) = (Potência × Fator de segurança) ÷ (Tensão × Fator de potência)**. A corrente em ampères é o que realmente define o disjuntor. Depois de calcular a corrente, a calculadora compara com a série comercial padrão de disjuntores termomagnéticos — 6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80 e 100 A — e indica o menor valor que seja igual ou maior que a corrente do circuito. Esse é o critério usado na prática: você nunca escolhe um disjuntor abaixo da corrente de trabalho.
Um exemplo prático: um chuveiro elétrico de **5500 W em 220 V**, considerando fator de potência 1,0 (resistência pura) e fator de segurança 1,25 (carga que fica ligada por bom tempo), dá uma corrente de (5500 × 1,25) ÷ (220 × 1) = **31,25 A**. O primeiro disjuntor comercial igual ou acima desse valor é o de **32 A**. Por isso chuveiros potentes em 220 V tipicamente pedem disjuntor de 32 A e cabo de 6 mm². Se você usar o mesmo chuveiro sem fator de segurança, a corrente cai para 25 A exatos e o disjuntor de 25 A já atenderia — mas a margem extra evita desarmes em dias frios, quando o chuveiro puxa um pouco mais.
O **fator de potência** importa quando a carga não é resistiva. Chuveiros, torneiras elétricas, secadores e fornos têm fator de potência próximo de 1,0. Já motores, compressores de geladeira, bombas e ar-condicionado têm fator de potência menor (em torno de 0,85), o que aumenta a corrente para a mesma potência útil. Por isso a calculadora deixa você ajustar esse valor — usar 1,0 num motor subdimensiona o disjuntor.
O **fator de segurança** (de 1,0 a 1,5) é a margem que você dá sobre a corrente nominal. A norma NBR 5410 recomenda dimensionar cargas contínuas (que ficam ligadas mais de 3 horas seguidas, como ar-condicionado e iluminação de loja) com folga. Usar 1,25 é a prática mais comum para esses casos. Para cargas de uso rápido e intermitente, 1,0 costuma bastar.
Vale reforçar: o disjuntor protege o **cabo**, não o aparelho. De nada adianta calcular o disjuntor certo e usar um fio fino demais — o fio aquece antes do disjuntor desarmar. A regra de ouro é dimensionar disjuntor e bitola do cabo juntos. Para circuitos de chuveiro de 32 A, por exemplo, o cabo costuma ser 6 mm²; para 25 A, 4 mm². Se você ainda não sabe a tensão da sua casa, confira se as tomadas e o relógio são 127 V ou 220 V — em muitas regiões o chuveiro fica em 220 V mesmo com o resto da casa em 127 V.
Se a corrente passar de 100 A, a calculadora avisa que o caso foge da faixa residencial comum e exige projeto elétrico específico (quadro geral de baixa tensão, dimensionamento de barramento e, muitas vezes, alimentação trifásica). Para esses casos, procure um engenheiro eletricista. Para entender a relação entre tensão, corrente e resistência por trás de tudo isso, vale conferir também a calculadora de **Lei de Ohm**, e para estimar o consumo mensal do aparelho use a calculadora de **consumo de energia elétrica (kWh)**.
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📰 Fórmula
Corrente (A) = (Potência em W × Fator de segurança) ÷ (Tensão em V × Fator de potência). O disjuntor é o menor valor da série comercial (6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80, 100 A) igual ou maior que a corrente.
📰 Fórmula
Corrente (A) = (Potência em W × Fator de segurança) ÷ (Tensão em V × Fator de potência). O disjuntor é o menor valor da série comercial (6, 10, 16, 20, 25, 32, 40, 50, 63, 70, 80, 100 A) igual ou maior que a corrente.
🧪 Exemplos práticos
1
Chuveiro de 5500 W em 220 V (carga contínua)
Chuveiro potente em 220 V pede disjuntor de 32 A e cabo de 6 mm².
Potência 5500 W · Tensão 220 V · Fator de potência 1,0 · Fator de segurança 1,25
Corrente = (Potência × Fator de segurança) ÷ (Tensão × Fator de potência),Corrente = (5500 × 1,25) ÷ (220 × 1,0) = 6875 ÷ 220,Corrente = 31,25 A,Primeiro disjuntor comercial ≥ 31,25 A → 32 A
Disjuntor de 32 A (corrente: 31,3 A)
2
Carga de 3000 W em 127 V
Em 127 V a mesma potência puxa quase o dobro da corrente que em 220 V.
Potência 3000 W · Tensão 127 V · Fator de potência 1,0 · Fator de segurança 1,0
Qual disjuntor usar para chuveiro de 5500 W em 220 V?
A corrente é 5500 ÷ 220 = 25 A sem margem, ou 31,25 A com fator de segurança 1,25. Na prática usa-se disjuntor de 32 A com cabo de 6 mm² para ter folga e evitar desarmes em dias frios.
Por que a mesma potência pede disjuntor maior em 127 V do que em 220 V?
Porque a corrente é potência dividida pela tensão. Quanto menor a tensão, maior a corrente para a mesma potência. Um aparelho de 3000 W puxa 23,6 A em 127 V e só 13,6 A em 220 V.
O que é o fator de potência e quando devo mudar de 1,0?
É a relação entre potência útil e potência aparente. Resistências (chuveiro, forno) têm fator 1,0. Motores, bombas e ar-condicionado têm fator em torno de 0,85 — use esse valor para eles, senão a corrente real fica maior que a calculada.
Quando devo aplicar fator de segurança de 1,25?
Em cargas contínuas, que ficam ligadas mais de 3 horas seguidas (ar-condicionado, iluminação comercial, motores em regime). A NBR 5410 recomenda essa folga. Para uso rápido e intermitente, 1,0 costuma bastar.
Disjuntor protege o aparelho ou o cabo?
O cabo. O disjuntor desarma para evitar que o fio aqueça e pegue fogo por sobrecorrente. Por isso disjuntor e bitola do cabo devem ser dimensionados juntos — disjuntor certo com fio fino é perigoso.
Por que não escolher sempre o disjuntor de maior valor por garantia?
Porque um disjuntor acima da corrente de trabalho deixa de proteger o circuito: ele só desarmaria muito depois de o cabo já estar superaquecido. O correto é o menor valor comercial igual ou acima da corrente calculada.
Que cabo usar com cada disjuntor?
Como referência prática em circuitos residenciais: 20 A → 2,5 mm²; 25 A → 4 mm²; 32 A → 6 mm²; 40 A → 10 mm². A bitola final depende do tipo de instalação e do comprimento do cabo — consulte a NBR 5410.
E se a corrente calculada passar de 100 A?
Sai da faixa residencial comum. Esse circuito exige projeto elétrico específico (quadro geral de baixa tensão, dimensionamento de barramento e possivelmente alimentação trifásica). Procure um engenheiro eletricista.